Eu não disse?


Pra história
Segunda-feira, 13 Julho 2009, 1:03 pm
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Quantas vezes a gente pode renascer?
Quarta-feira, 1 Julho 2009, 9:54 pm
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A resposta correta, adianto, é infinitas vezes. Não tem idade, não tem condições específicas. Pode demorar um tempo, mas a gente bota o leite de volta no balde e vai em frente.

Mas há uma condição: qual o tamanho da vontade para isso.

Minha vontade, hoje, é de sair voando. Viver, viver. Mas não aqui. Aqui não dá mais. Aqui não tenho forças. Voltar torna-se iminente, basta um pequeno ajuste financeiro para isso.



Ser justa ou acreditar
Quarta-feira, 1 Julho 2009, 9:53 pm
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Tenho medo de ter sido injusta com uma pessoa que foi injusta comigo. Acreditei no que me disseram, e não acreditei no que ela me disse.

Ela também não tentou se defender, sinal de que o que penso não importa a ela. E, se nada importa, minha injustiça não deve importar também.

Será?



Disse que me disse
Segunda-feira, 22 Junho 2009, 10:25 am
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Não sei se já comentei neste blog sobre a criatividade do povo daqui quando o negócio é fazer disse-me-disse. A coisa é bem simples para um ficcionista: joga o tema aqui, e adiante vai colher a história completa, com requintes de crueldade que dariam inveja a Nelson Rodrigues.

Exemplifico.

Dia desses, bateu saudades de uma amiga. Coisa habitual: fui procurá-la no orkut e não achei. Pensando que ela tinha apagado seu perfil, escrevi um e-mail, pedindo notícias.
Tempos depois, enquanto a resposta não chegava, fiz aquele tipo desagradável de descoberta: ela ainda está pelo orkut, apenas não no meu.

Aí a cabeça vai buscar uma explicação no famoso: “o que eu fiz?”. Matutando sem chegar a alguma conclusão, relembro que aqui, no entanto, a pergunta deve ser: “o que ela acha que eu fiz?”.

Nisso, tive uma luz. E agora, senta que lá vem história:

Cena 1:

Recentemente conhecemos um daqueles seres sem o qual poderíamos passar muito bem. Durante um evento cultural ele procurou levar vantagens em tudo, inclusive com mulheres, fazendo convites a torto e a direito, sem sucesso.

Essa minha amiga e uma conhecida foram enganadas por uma convidada do evento, que pegou o telefone delas usando como desculpa o insuspeito “manter contato”. O sujeito asqueroso pegou os números e desandou a ligar.

Cena 2:

Diante de um monte de pessoas, minha amiga contou o ocorrido. Outras histórias vieram à tona, inclusive os convites que ele também me fazia.

Cena 3:

Comentando sobre o fulano asqueroso, conto o ocorrido comigo e com elas para dois amigos nossos (um deles, namorado da conhecida). Para um deles, inclusive, já não era novidade: foi o primeiro a saber, quando minha amiga recebeu o primeiro telefonema.

Cena 4: fim

Dias depois fico sabendo que a minha amiga e minha conhecida estão muito bravas comigo: afinal, andei espalhando que elas entregaram, por livre e espontânea vontade, seus telefones ao sujeito asqueroso.

E aí questiono:

Será que elas pensam que eu não tenho mais o que fazer?



Eu ressuscitei Raul Cortez
Sexta-Feira, 12 Junho 2009, 8:45 pm
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raulHoje, no auge da minha leseira, li uma notícia antiga, dizendo que o Raul Cortez tinha morrido.
Não contente em exclamar minha consternação em pleno ciber – fiquei realmente arrasada! -, eu ainda tive a pachorra de mandar um “erramos” para a Folha, dizendo que a data estava errada. (Lá dizia que ele estava internado desde 30 de junho, algo assim).

Enfim, ainda não satisfeita, achei estranho que a notícia não estivesse na capa dos sites. Dei uma bela busca, e esperava algo no Jornal Nacional.

Chegando na casa da Côca, comentei com ela: “você viu quem morreu? O Raul Cortez!”. E foi Coquinha quem me tirou do surto: “oxe, menina, foi no ano passado. Morreu de câncer”.

Eu quis me enfiar embaixo da cadeira de balanço dela. Mas, a seguir, achei melhor dar uma utilidade a esse lapso existencial, contando para alguém (além da pessoa que leu o e-mail na Folha) rir da minha cara. Até ele deve estar rindo.



85?
Terça-feira, 9 Junho 2009, 6:32 pm
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Ontem meu blog recebeu 85 visitantes. Agora, meu santo, da onde veio tanta gente?

E quem quer saber,  segundo apontou a ferramenta dedo-duro do wordpress, qual o “orkut da reporter mariana albanese”?

Não seria mais fácil procurar no próprio?



Fugir ou ficar?
Domingo, 7 Junho 2009, 4:32 pm
Arquivado em: Por Mariana Albanese

Chega certa hora em nossas vidas em que tudo fica sério. Eu percebi isso quando fui no cartório assinar a autorização de viagem de Os Cabinha. Ali, cinco mães assinaram embaixo, dizendo que permitiam que os filhos viajassem a São Paulo sob minha responsabilidade.

Tão sério quanto ter cuidado de cinco meninos cantores em uma turnê por São Paulo, foi tentar entender as expectativas que isso estava gerando em mim e nos outros.  E elas não bateram. Foi tanta coisa importante junta que virou sofrimento.

E vendo o quanto eu estava sofrendo, um observador externo me perguntou: “será que sua missão por lá já não se acabou?”. O “lá” da pergunta era o Cariri. E respondi que não. Porque não acabou, mesmo. E vi isso quando decidi não mais continuar na Casa Grande. Decidimos, na verdade. De ambas as partes, as expectativas já não são mais as mesmas.

Foi sem briga, foi sem rompimentos. O que não me impediu de acordar descobrindo que eu possuo muito mais pontos nervosos no corpo do que imaginava. A dor, no entanto, era em deixar este sol, meu apartamento, meu colchão, minha geladeira e minha família adotiva.

Ainda não acabou minha missão aqui. Algo me faz ficar, e não são apenas as amizades que construí. Ir embora seria fugir de sentimentos que eu não controlo, e que eu voltaria a sentir quando pra cá voltasse.

Então, a decisão foi ficar. Ficar pela Chapada do Araripe, ficar por quem ainda virá.



Tocando em frente
Quinta-feira, 4 Junho 2009, 1:08 am
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Voltando aos poucos.

Vivendo, aos poucos. Nada mais com pressa. Tudo, com certeza. Certeza de nunca mais passar uma noite em claro, tampouco derrubar alguma lágrima pensando no que não vai ser.

Não vai ser porque ele não quer? Não vai ser porque não deixam ele querer? Piada.

O que importa agora é o que pode ser. E a vida me sorri. Tenho ela inteira para construir agora.

Ele morreu. Ele se suicidou. Ele virou hipótese. Meu lance, agora, é  a realidade acompanhada de uma rajada de vento frio em uma noite de inverno paulistano.

Eu sou do mundo. O resto, não quero saber.



Que o último pau de arara não chegue
Quarta-feira, 6 Maio 2009, 9:16 pm
Arquivado em: Por Mariana Albanese

Como elas podem andar tão juntas? A decepção e a felicidade?

A paz e o tormento?

Hoje fui feliz. Mais feliz que na maioria dos dias deste ano. Talvez o dia mais feliz dele. E essa felicidade tem um fundamento tão simples, que nem conto. Iriam me achar besta, e o pivô dos sorrisos ficaria bem bravo.

E só fui feliz porque fui forte. Porque engoli o choro e olhei pra frente.  Notícia pior, só se fosse morte (e até tem gente que faz piadinhas juntando as duas coisas). O fato é que é possível ser feliz e triste ao mesmo tempo.



Desculpa pela ausência: estou nas nuvens
Quarta-feira, 6 Maio 2009, 9:07 pm
Arquivado em: Por Mariana Albanese

Já estive ausente por motivos mais inúteis. Dessa vez, a razão é nobre – se o leitor considerar nobre a realização de dois sonhos:  uma mostra de países de língua portuguesa na Casa Grande, e uma mostra Cariri no Sesc Ipiranga, em São Paulo.

O primeiro, na verdade,  é um sonho um tanto alterado: trago novamente ao Brasil, agora, na semana que vem, JP Simões. Antes ídolo, agora amídolo. Tirando a piadinha sem graça, a felicidade é grande, porque ele vem acompanhado de mais um monte de gente.  Ainda não é meu festival de bandas portuguesas,  mas um bom caminho para. Trata-se da Cariri das Artes dos Países de Língua Portuguesa, que como o nome já diz, é uma mostra que reunirá pessoas que falam português. Ou melhor, cantam e produzem neste idioma. Será aqui na Fundação Casa Grande – antes ONG admirada, agora lastro existencial.

Se foi complicado trazer um português em 2007, imagine agora: somam-se a ele um moçambicano, um angolano, um caboverdeano, além da brasileirísima Elizah, do Rio, e seu marido Paulo Brandão. Como se não fosse pouco, vêm mais um tanto de palestrantes, do primeiro time: Itaú Cultural, Sesc, BNB, Abril Pro Rock e por aí ai.

E se é assim complexo produzir uma mostra, o  que pensar de duas, uma em cada estado? E aí entra a parte dois do sonho:  uma semana e tanto de Casa Grande no Sesc Ipiranga, dentro da programação da mostra Cariri, ser tão cultura, viabilizada pela nova santa a ser canonizada, Mônica Calmon (aguardem o pronunciamento oficial da Igreja).

Coisa pouca, não é.  Dentro do bolo, entrou enfim o show do Marcelo Camelo com Os Cabinha.  Vai ser dia 23/05.  E tem Abanda com Arismar do Espírito Santo e Eraldo do Monte,um dia antes.  E mais Cabinhas, com Ceumar, no dia 29.

Apesar de tanta coisa boa acontecendo,  não tenho tempo nem de respirar, quanto mais sentir a empolgação do que está por ir.  Ou a gente curte a festa, ou a gente é produtora. Será que a conta é essa? Nemtanto.

Estou sendo feliz a conta gotas. Por isso que é melhor realizar um sonho por vez. Caso contrário, um ofusca o outro.



Só entende quem caça minhocas
Terça-feira, 21 Abril 2009, 8:48 pm
Arquivado em: Por Mariana Albanese

p2_2Sentada na cama, folheando o jornal em busca de um emprego, eu olhava o mar de Florianópolis pela janela do quarto. Não tinha TV e o rádio era um gigantesco aparelho deixado pelo inquilino anterior. Ouvia a rádio Atlântida, transmitida de Porto Alegre.
O ano era 2003 e a música do momento, O Vencedor, do Los Hermanos.

Com ela eu me consolava do meu fracasso, sozinha em uma ilha estranha, sem saber ainda o quão importante seria essa experiência. Eu já não queria mais ser uma vencedora. Pretendia fazer o melhor que fosse capaz, só pra viver em paz.

Corta a cena. Agora estamos em 2005. Um ano depois de retornar a São Paulo, cursava novamente jornalismo. Los Hermanos estava prestes a lançar um novo cd, porém os ecos do Ventura ainda soavam entre os fãs.

Entre eles, um certo rapaz bonzinho, que conheci naquele ano. Que visitava um lar para crianças soropositivas comigo, que parecia o genro que toda mamãe sempre quis. Esse mesmo fofo me gravou o Ventura. E o mesmo supracitado enrolava umas quatro meninas ao mesmo tempo. Até escolher ficar com uma.

Mais uma vez, a trilha sonora LH. Agora, na voz do Amarante, todo mundo que o via na fila do pão sabia que ele a tinha encontrado. Emagreci 14 quilos.

Passou. Tudo passa. E estamos em 2009, ano em que voltei ao Ceará e que consegui agendar o show de Os Cabinha com o Marcelo Camelo.
Ele virou fã dos meninos e tive a ideia de tentar um show. Ele topou na hora, mas o Sesc não. Foram três meses até dar certo.

Na semana passada, em Fortaleza, descobri que ele ia tocar, e fui lá me apresentar e tentar já combinar algo para o show. Depois de uma passagem de som interessante, fiz o que havia ido fazer. E ao virar a esquina, caí na real: poderia ter conhecido um ídolo de diversas formas, e o fiz da melhor, trabalhando. E ele me recebeu da melhor forma também, com a honra de quem produz Os Cabinha.

E foi tanta honra junta que se chacoalhasse o pé um tanto mais forte, voava. Não é tietagem, é orgulho profissional. Consegui algo a que me propus. Isso nenhum passarinho no ninho vai entender.



Esperança nos que virão
Terça-feira, 21 Abril 2009, 8:25 pm
Arquivado em: Por Mariana Albanese

Às vezes me dá vontade de desistir.  Trabalho em prol de uma coisa, mas não vejo nos outros o mesmo entusiasmo que me move.
Não sei, mas hoje pensando, cheguei a uma conclusão: só quem batalhou por uma coisa pode sentir a felicidade de uma conquista. Só quem passou meses perseguindo uma ideia sabe o que é vê-la materializada. Como esperar que filhotes de passarinho comemorem sua minhoca de cada dia se foi a mamãe pássaro quem levou? E que continua levando, mesmo agora que eles cresceram?

Se você é músico, tem ídolos, e esses ídolos aceitam fazer uma participação em seu show, você dá pulinhos de felicidade, certo? É o que a maioria das pessoas faria, mas não todas.
E acho que não me interessa trabalhar com quem faz parte dessa minoria.

Agora, não há como culpar uma multidão pelo desânimo de uns poucos. Tenho fé nas novas gerações. É por isso que as adoro.



Salada de verdura
Quinta-feira, 16 Abril 2009, 5:11 pm
Arquivado em: Por Mariana Albanese

Estou em Fortaleza. Está chovendo. Eu estou em um ciber-restaurante, perto do BNB, e leio em um cartaz à minha frente: “quinta-feira Creme de galinha, arroz, paçoca de carne e salada de verdura“.

Explicação: verdura aqui é folha.



Falando em biscoito da sorte…
Quarta-feira, 8 Abril 2009, 2:01 pm
Arquivado em: Por Mariana Albanese

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Mensagem do orkut (essa, nada útil)

“Sorte de hoje: Hoje você vai ver um biscoito da sorte que você nunca viu antes”

Talvez porque, depois de ingeridos, nós não podemos rever o biscoito antigo?
Ou, ainda, uma nova pergunta: você conhece alguém que tenha exclamado: “que saudades do meu biscoito da sorte, vou revê-lo!” ?

Falando nisso, bem curioso esse post que achei.

E para continuar o clipping, essa notícia da BBC.



Se hoje eu fosse escrever uma poesia
Terça-feira, 7 Abril 2009, 8:32 pm
Arquivado em: Por Mariana Albanese

Se eu tivesse talento pra poesia, hoje escreveria uma bem grande, sobre o poder dos sentimentos negados, que reciclados viram palavras úteis.

Eu fui útil, e não me sinto mais morta. A morte estava em negar o que me faz bem viva. Essa vida corresponde pelo nome de gana.

Se eu fosse Drummond, hoje teria escrito: “Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo”.

Agora entendo todo o medo que eu tinha de morrer sem realizar as duas mostras, que agora viraram três. É porque a vida me esperava aqui, a verdade, e tudo o que pode deixar alguém à flor da pele.