Arquivado em: Por Mariana Albanese
Tudo pode ser. Uma noite que se estende pela madrugada pode gerar todas as dores do mundo: do escorregão na escada que resultou em um arroxeado na perna, ao cotovelo que dói irritantemente. Da cólica que apareceu em hora errada, à raiva por roubarem a câmera que meu pai se matou pra me comprar. Passa também pelo nervoso de uma nota de 20 reais falsérrima, renegada.
Mas dentro da noite não cabem só dores. Cabem apresentações engraçadas na tenda eletrônica: “este é fulano. Ele é hetero”. Mais direto, impossível. Antitucanês!
Resposta a perguntas curiosas: “Só me diz uma coisa: ‘você é da UJS?’”. UJS! Lembranças de A.C – Antes do Cariri e Antes de Cristo!
Cabem também danças toscas. Funk do “agora eu tô solteira e ninguém vai me segurar”. Dança do quadrado, a música mais estúpida e divertida que já inventaram. Créu. Créu! Uma constatação: sonoridade bem eletrônica, estragada pela coreografia lamentável.
E teve Felipão, o showman brasileiro. Fui ver de perto. Tem todos os dentes, os dois olhos e um carisma que confirmou minha resolução surreal de ir pra perto do palco. “Agora eu sou de Jesus, e levarei o nome dele para onde eu for. Solta o som, Vagabundo!”. Se risada rendesse dividendos…
Só fui dormir quando o sol veio render a lua. Lembrei do JP: “hoje o dia doeu fundo, mas gosto ainda do mundo”.
Domingo voltei para o parque de exposições. Passagem rápida. Doeu só de pisar lá. No portão, reli o aviso estampado: “Saída sem retorno”.
Ma(i)s gosto ainda do mundo.
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