Arquivado em: Por Mariana Albanese
Não sei se já comentei neste blog sobre a criatividade do povo daqui quando o negócio é fazer disse-me-disse. A coisa é bem simples para um ficcionista: joga o tema aqui, e adiante vai colher a história completa, com requintes de crueldade que dariam inveja a Nelson Rodrigues.
Exemplifico.
Dia desses, bateu saudades de uma amiga. Coisa habitual: fui procurá-la no orkut e não achei. Pensando que ela tinha apagado seu perfil, escrevi um e-mail, pedindo notícias.
Tempos depois, enquanto a resposta não chegava, fiz aquele tipo desagradável de descoberta: ela ainda está pelo orkut, apenas não no meu.
Aí a cabeça vai buscar uma explicação no famoso: “o que eu fiz?”. Matutando sem chegar a alguma conclusão, relembro que aqui, no entanto, a pergunta deve ser: “o que ela acha que eu fiz?”.
Nisso, tive uma luz. E agora, senta que lá vem história:
Cena 1:
Recentemente conhecemos um daqueles seres sem o qual poderíamos passar muito bem. Durante um evento cultural ele procurou levar vantagens em tudo, inclusive com mulheres, fazendo convites a torto e a direito, sem sucesso.
Essa minha amiga e uma conhecida foram enganadas por uma convidada do evento, que pegou o telefone delas usando como desculpa o insuspeito “manter contato”. O sujeito asqueroso pegou os números e desandou a ligar.
Cena 2:
Diante de um monte de pessoas, minha amiga contou o ocorrido. Outras histórias vieram à tona, inclusive os convites que ele também me fazia.
Cena 3:
Comentando sobre o fulano asqueroso, conto o ocorrido comigo e com elas para dois amigos nossos (um deles, namorado da conhecida). Para um deles, inclusive, já não era novidade: foi o primeiro a saber, quando minha amiga recebeu o primeiro telefonema.
Cena 4: fim
Dias depois fico sabendo que a minha amiga e minha conhecida estão muito bravas comigo: afinal, andei espalhando que elas entregaram, por livre e espontânea vontade, seus telefones ao sujeito asqueroso.
E aí questiono:
Será que elas pensam que eu não tenho mais o que fazer?
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