Arquivado em: Por Mariana Albanese
Neste delírio paulistano em que me encontro, sem saber – de novo – se sou de lá ou sou de cá, alterando a contagem de “faltam X dias para eu voltar para o Cariri”, para “faltam Y dias para eu ir embora de São Paulo”, me deparei com um prédio conhecido.
Fica na esquina da casa em que eu morava, na Vila Mariana. Na verdade, são dois. Um condomínio chique-chiquérrimo, de um milhão e meio de reais o apartamento com vista (longínqua) para o Ibirapuera.
Não tinha visto ele ficar pronto, e quando o fiz, lembrei de um texto antigo, de 2005, em que me perguntava: “O que eu vou ser quando o prédio crescer?”.
O comentário que recebi da Gi, quebrando minha filosofia, foi: “Na verdade, como as construtoras são riquíssimas e contratam muita gente, os prédios vão terminar super rápido e sua vida vai continuar a mesma. Sinto muito, mas é
verdade”.
Bom, vamos aos fatos:
Ainda estarei aqui? – Não lembro a que “aqui” me referia, mas talvez seja Vila Mariana / São Paulo. Mas não, não estou. Nem moro no bairro, tampouco na cidade. (obs: Se “aqui” for viva, estou.)
Terei acabado a faculdade? - Teria, se fosse uma pessoa normal, equilibrada e que acreditasse em diplomas.
Escrito meu livro? - Outra dificuldade: qual livro? Mas deve ser o do Amapá, já que eu não conhecia o Cariri em 2005. Não, não escrevi. Mas fiz um outro, sobre a Casa Grande.
Achado minha 123ª alma gêmea? - Essa é ótima! Era uma piadinha: porque todo mundo que eu gostava, achava que gostava muito. E simplesmente isso não tinha acontecido de verdade ainda.
Meus amigos ainda estarão ao meu lado? - Alguns sim, outros não. No lugar dos “outros não”, mais um monte de novos “alguns sim”.
Mas a verdade é que minha vida, ao contrário do que a Gisele previu, não é a mesma. Eu não sou mais a mesma desde o dia em que entrei no Almanaque. Ali a vida começou a começar, e eu tratei de dar a ela, enfim, o rumo desejado.
2 Comentários até o momento
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Muito bom… fiquei pensando tb em quem eu era nesse mês e ano do primeiro texto e em quem eu sou agora. E cheguei à conclusão de que continuo querendo basicamente as mesmas coisas (já as tendo conseguido ou não… rs), mas agora acho que dou mais valor ao que já tenho e fico menos ansiosa com o que não tenho.
Comment por Juliana Domingo, 1 Novembro 2009 @ 6:18 pmQuer dizer, eu acho que é isso… pelo menos pra alguma coisa a idade serve… rs
Bjos!
“Se ‘aqui’ for viva” foi uma observação genial.
Comment por Nati Segunda-feira, 2 Novembro 2009 @ 2:33 amE o blog ainda existe, a internet não entrou em colapso e as pessoas se interessam por vc!